terça-feira, fevereiro 28, 2006

A Teoria do Punho

tudo me é eterno
os punhos nunca envelhecem
apesar de eu já lhes sentir ténues linhas
que o tempo vem desenhando a cada nascimento que faço

a vontade de arrumar a um canto a cabeça e tudo o que lhe pertence
é agora primordial como o eu agarrar agora mesmo dentro do punho
toda a minha força e decidir se o abro ou se o fecho

escolhe-se arrumar-se o corpo a um canto

primeiro o corpo
a cabeça
os membros
os olhos
a boca – que já de nada serve há muito

os punhos nunca

tudo me é eterno e os punhos jamais cedem
mesmo se gastos
mesmo se mortos

a minha morte é outra
a minha é outra.

3 comentários:

Dalila disse...

Punho símbolo de luta! Lutadora que, sem dúvida, és.

Unattached disse...

Os meus punhos estão, como tudo o resto, no armário.

Tiago Tejo disse...

Ainda não tinha prestado atenção alguma a este poema. Mas está bem forte como a sensação que temos ao idealizar "punho".

Fabuloso, quanto a mim.